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De compradora a concorrente: China muda jogo no mercado de frango; quais os impactos para o Brasil?
20/07/2026
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Por décadas, a China foi vista apenas como o maior comprador de alimentos do mundo. Agora, esse papel começa a mudar.
Em relatório divulgado nesta segunda (20), o BTG Pactual chama atenção para uma “transformação silenciosa”, mas que pode alterar a dinâmica do mercado global de carne de frango: além de seguir como uma grande importadora, a China está se consolidando rapidamente como uma importante exportadora da proteína.
Na avaliação do banco, essa mudança aumenta a concorrência internacional e pode representar um risco estrutural para países exportadores, como o Brasil.
Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as exportações chinesas de carne de frango cresceram 41% em 2025, para quase 1,1 milhão de toneladas, e devem alcançar 1,4 milhão de toneladas em 2026.
Caso a projeção se confirme, a China passará a ocupar a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de frango, atrás apenas de Brasil e Estados Unidos.
O avanço é expressivo. Em menos de uma década, a participação chinesa nas exportações globais deve saltar de um nível praticamente irrelevante para cerca de 9,5%.
Para o BTG, a expansão das exportações reflete o forte crescimento da produção doméstica.
A China já é o segundo maior produtor mundial de carne de frango. O USDA projeta crescimento de 7% na produção em 2025 e de mais 5% em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas. Algumas estimativas do setor, segundo o banco, apontam para uma expansão ainda maior, em ritmo de dois dígitos.
“O efeito imediato é simples: mais oferta disponível para exportação, mais concorrência e, mantidas as demais condições, pressão adicional sobre os preços globais do frango”, afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
Embora existam poucos dados públicos sobre os custos de produção das empresas chinesas, o BTG destaca que o histórico do país em ganhar escala rapidamente em diversos segmentos industriais indica que a China pode se tornar um dos produtores de menor custo do mundo.
O banco ressalta que a mudança merece atenção especialmente pelo perfil das exportações chinesas.
Enquanto continua importando grandes volumes de pés de frango e outros produtos com forte demanda doméstica, a China vem aumentando as vendas externas justamente de cortes menos consumidos internamente, como o peito de frango.
Esse é um ponto sensível para os exportadores brasileiros.
Nos últimos doze meses, o peito de frango respondeu por 22% de todo o volume exportado pelo Brasil, sendo o principal corte embarcado individualmente e um dos que apresentam maior valor agregado.
Além disso, alguns dos principais compradores desse produto — como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — estão geograficamente mais próximos da China, o que pode favorecer a competitividade dos exportadores chineses em termos logísticos.
Na avaliação do BTG, se o país continuar ampliando sua capacidade produtiva e conquistar acesso a novos mercados, poderá se tornar um competidor estrutural para os frigoríficos brasileiros, pressionando preços internacionais e disputando espaço justamente em mercados considerados estratégicos para as exportações do Brasil.
Fonte: MoneyTimes
Créditos de Imagem: Banco de Imagens ASGAV





