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Avicultura gaúcha: números, desafios e a resposta técnica de uma cadeia em alta pressão
25/05/2026

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A avicultura gaúcha consolidou o Rio Grande do Sul como o 3º maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil e o colocou entre os cinco maiores produtores e exportadores de ovos do país. Em 2025, o Estado abateu 808 milhões de aves e exportou 680 mil toneladas de carne de frango, segundo divulgação da ASGAV (Associação Gaúcha de Avicultura).

Para 2026, o quadro continua mostrando a avicultura gaúcha como um ator robusto. Segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção brasileira de carne de frango deve crescer até 2% nesse ano, alcançando cerca de 15,6 milhões de toneladas, com disponibilidade interna estimada em 10,1 milhões de toneladas e consumo médio previsto de 47,3 kg por habitante. Dentro desse cenário nacional, o Rio Grande do Sul permanece como o terceiro maior produtor e exportador de carne de frango e líder nacional nas exportações de ovos, reforçando sua posição estratégica na proteína avícola brasileira.

O setor está de mãos dadas com demais produtores a fim de fomentar a engrenagem, permanecendo na robustez nos resultados do mercado, porém de forma sólida e responsável. E para essa engrenagem não falhar ou romper, a ASGAV trabalha de maneira próxima aos produtores gaúchos e faz o papel de fortalecer a presença do Rio Grande do Sul (RS) na articulação institucional do setor, mantendo o destaque do estado em mercados doméstico e externo, organizando a cadeia em torno de protocolos sanitários, gestão de crises e estratégias de comunicação, além de criar comissões temáticas e técnicas que interligam áreas vitais da indústria e da produção.

Questões sanitárias pressionam produtores, mas o contra-ataque é certeiro

Em 2025, o RS registrou casos de Influenza Aviária (H5N1), situação que gerou restrições de mercados importadores e impactou diretamente o volume exportado. A projeção inicial do setor era de queda superior a 10% nas exportações, mas a queda real de 0,7% foi menor, refletindo esforços de contenção e manutenção de acesso a mercados sem restrições. Não obstante, o estado também enfrentou registros de Doença de Newcastle, o que reforçou a necessidade de protocolos sanitários rígidos e vigilância epidemiológica contínua. Mas a resposta do setor for rápida e certeira, o que incluiu fortalecimento de biosseguridade nas granjas e frigoríficos, implementação de modernos sistemas para gestão de crises sanitárias, além da articulação entre MAPA, Secretaria de Agricultura do RS, ASGAV, indústrias e produtores, para delimitação de áreas afetadas e comunicação com mercados externos.

“Destaca-se a atenção e reforço nas medidas de biosseguridade com a entrada da Influenza Aviária no Brasil, desde 2023. Já há a implantação de sistemas com uso de Inteligência Artificial no processo industrial e de gestão técnica no campo”, explicou José Eduardo dos Santos, presidente-executivo da ASGAV.

Recorrente desafio: custos de produção

O RS opera em um cenário de custos menores de competitividade em relação a outros estados sulistas. Dados da Embrapa mostram que o custo de produção do frango de corte no RS gira em torno de R$ 4,85 – 5,15/kg, acima de estados como Paraná. Porém, a Embrapa divulgou o fechamento de abril/ 2026, na qual o RS manteve o custo da produção de frangos de corte em R$ 4,94, frente à SC, que fechou em R$ 4,97.

Eventos climáticos extremos, como as enchentes de 2025 afetaram a logística, o fornecimento de insumos e bem-estar animal, compondo importante parcela de pressão sobre o setor, como foi destacado anteriormente, mas há uma problemática constante na qual o produtor está sempre de olho: a produção local de milho, que enfrenta dificuldades periódicas, pressionando custos de ração – equivalente a quase 59 % dos custos.

Para a avicultura, o comportamento dos preços do milho em 2026 é um dos fatores que mais influenciam a viabilidade econômica da produção. Segundo o Cepea/ Esalq, a oferta interna de milho deve ser recorde em 2026, o que pode pressionar as cotações do cereal para baixo e melhorar o poder de compra da pecuária, incluindo a avicultura, já que a ração é um dos principais componentes do custo de produção, ou seja, há acompanhamento moderado dos eventos em torno do milho, porém as preocupações não devem superar as boas expectativas.

Protagonismo consciente, do frango ao ovo

A avicultura gaúcha não se restringe à carne. Em 2025, o RS produziu aproximadamente 3,4 bilhões de unidades de ovos, respondendo por cerca de 11% da produção nacional e figurando como 4º maior produtor do país. As exportações de ovos ficaram em torno de 6,2 mil toneladas, com faturamento de US$ 23 milhões, alta superior a 30% na receita mesmo com leve queda no volume, refletindo valorização de preços e maior valor agregado do produto.

A expectativa para 2026 é de recuperação ainda mais intensa nas exportações: crescimento entre 3% e 4% na carne de frango e entre 20% e 30% no segmento de ovos.

“Estamos muito confiantes de que 2026 será um ano de retomada vigorosa, com expansão das exportações de carne de aves e novos avanços no segmento de ovos, impulsionados por investimentos em modernização, competitividade industrial e biosseguridade”, disse Santos.

O Programa Ovos RS é um dos destaques da estruturação setorial. A iniciativa conta com uma certificadora para sistemas alternativos de produção, reforçando a posição do RS como pioneiro em padrões de bem-estar e diferenciação de produtos. A ASGAV promove campanhas que incentivam o consumo de produtos avícolas, valorizam e evidenciam as marcas gaúchas no mercado nacional e internacional.

Agir de maneira integrada e compartilhada, esse é o segredo

A Conbrasfran e a Conbrasul são conferências que reúnem lideranças do setor para discutir o cenário mundial de produção e exportação, analisar o mercado, determinar – ou prever – tendências de consumo, geopolítica, tecnologia, biosseguridade, bem-estar animal e gestão de custos. Esses eventos funcionam como espaços de atualização técnica, networking e nivelamento conceitual, essenciais à expansão e abertura do mercado.

A avicultura gaúcha opera em um ambiente de alta pressão sanitária, climática e de custos, mas mantém sua posição estratégica no quadro nacional e internacional: 808 milhões de aves abatidas em 2025, 680 mil toneladas de exportação de frango, US$ 1,2 bilhão em receita, 3,4 bilhões de ovos com 11% da produção nacional e mais de 31 mil empregos diretos apenas no abate de aves. A diferença entre a trajetória do RS e a de outros estados que enfrentaram choques sanitários está na estrutura de governança da cadeia: entidades, comissões técnicas, conferências e espaços de articulação que permitem resposta rápida, gestão de crise e atualização constante diante de mudanças geopolíticas e sanitárias.

Fonte: AviNews Brasil
Créditos da Imagem: Banco de Imagens ASGAV